quarta-feira, 10 de julho de 2024

Janelas

 Tenho uma janela que me permite ver a cidade a crescer para cima...No fim da tarde, vejo as pessoas que não têm e algumas que possuem janelas que não mostram a cidade, só paredes e ou então estreitos corredores. Há muitas belezas a serem vistas através da minha janela, desde que lágrimas não apareçam como cortinas... Pela janela passam os sonhos, as dores e amores, passam a vida e os automóveis, o tempo e a labuta, a solidão e a promessa, a vida e a morte de todos que a ultrapassaram...Pela janela vejo os cotovelos de minha avó marcados pela janela em que ela se apoiava para ver a vida no fim da tarde. Mas o trajeto do avião preparando a tripulação para o pouso é o ápice da beleza vista pela minha janela... É a lição de partir de Bandeira, que de sua janela via o aeroporto e as naves...pela minha janela vejo o morrer dos dias, o nascer das noites, vejo o início, o fim prosaico e o poético das vidas dos que lutam para ter uma janela qualquer...

A primeira cama

 O primeiro assalto em Sampa, a primeira cama, os primeiros encantos e ou desencantos na nova cidade, a magreza rodeada de cabelos negros ... Tudo junto e misturado de repente, enquanto cruzo a São Luís e a av Ipiranga... Tudo tão distante de mim que já não sou eu mais e nem existem por perto os que me diziam, de um modo torto, sobre o torto que era eu..."Todos dormem profundamente", como diz Bandeira...Ah, uma quermesse, a visão de São Miguel Arcanjo...Tudo que eu vejo em Sampa , não existe na realidade... Que mundo é esse? O Pantanal em fogo, Caruaru na chuva, a Direita ameaçando a vida e anunciando o armagedom  no mundo e neste quintal dos Estados desunidos, Sampa sem frio ou névoa, é o tempo seco e quente, asfixiando os condenados a manipulação...Quem dera a vida se resumisse numa crença qualquer ou então pudéssemos esquecer tudo no forró...valei-nos São Miguel Arcanjo, decepa, ao menos, a cabeça do inelegível...