quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ode ao homem

Ode ao homem


Recuso o leite quente matinal
teu atarantado movimento na cozinha
teu olhar tentando aquietar as crianças
carentes acordadas no amor familiar
nego ao meu filho o afago
pois tenho nas mãos um punhal


Envelhecemos enquanto crescem os filhos
da vida em comum matrimonial
sorris satisfeita na ordem posta
em nossa existência, mas chora
o menino e deito o punhal, não é hora,
seja homem como eu, animal.


Tu dizes que se olharmos pela janela
veremos que não há proteção
atropelos perseguem os passantes
porém para nós paira a paz
em suspiros e dedicação


Seria assim se eu tivesse nascido
sem viseira nos olhos
e peito aberto ao amor vão
aberto ao punhal de sua mão


No asfalto corre meu sangue
foram meus ossos pisoteados
temi a fúria revelada na fúria
desse homem casado e cotidiano
matando-me a socos e pontapés


Com um olho vejo meu outro olho
que olha para mim do meio da rua
entendo agora que ele nunca amou
seus pais sua esposa seus filhos
ele é bem pior e infeliz que eu mesmo
pois finge amar a vida que eu nunca amei
a vida dele com sua família
a paz em suspiros que eu recusei.

(Para André Baliera/ espancado em 03/12/12)

ode ao homem

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Arpoador

De manhâ Deus pinta um céu
No Arpoador
Pinta mais um fio branco
Em meu cabelo
Espalha montanhas no mar
Flacidez em minha pele e leveza
de pássaros em tons sem sol.
Tudo é teu o ar, a dor, o Arpoador
E meus olhos que agradecem embaçados.
Se fosse eterna de tua criação
A beleza não seria bela.
Reconhecendo-me passageiro
Talvez eu aprenda a viver.