domingo, 16 de outubro de 2011

Fome de Deus

Acordo sofrendo.
O telefone não toca.
Não vejo teus olhos,
Tu não me amas.
Peço a Deus dó para minha dor.
Ligo a televisão e a mulher
com onze filhos, no sertão,
marido para o sul,
não têm o que comer.
Entendo porque Deus não me ouve.

domingo, 14 de agosto de 2011

A viagem já se torna cansativa e chata,

Onde buscar forças para continuar vivendo até o fim?Não mais em alguém. Não mais em lugar algum que não seja dentro de mim ou em Deus, se Deus fosse para mim o que é para todos.
     Que doença é essa que me quer sempre partindo, não sendo de onde estou, nem com quem estou, nem o que fui, nem de onde vim e que me atormenta na incerteza de que talvez eu também não seja nunca em lugar algum, em tempo nenhum, com ninguém que não seja eu mesmo...

domingo, 31 de julho de 2011

Domingo

A gente vê que é domingo...
Pela janela,
Pelos casais enamorados
cujo amor parece eterno
Ao contrário dos casais de sábado
Que são desesperados passageiros...

A gente vê que é domingo
Pelas janelas dos carros
As famílias pacíficas,
Os sinos da redenção
a quietude suspensa
A algazarra das crianças
Poucos latidos do cão

As visitas que talvez visitem
Enquanto se faz o macarrão,
Pelo ritmo lá fora
Que conduz à meditação.

A gente vê que é domingo
Quando exacerba a solidão
Pelo não que se anuncia
Para os solitários sem razão
E o desespero que anuncia
A segunda ganha-pão,

A presença dos que foram
Os beijos aprendidos no cinema
O sol moreno em Ipanema
a falta do telefonema
Aquele velho dilema
As conversas sem um tema
O encontro com a sonolência
Que suspende a existência
A frustração a decadência
A gente vê que é domingo...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

leviano e ressentido?

Talvez não haja mesmo essa coisa que chamam amor, qual a verdade por trás das famílias, dos filhos, dos casais que se sujeitam a viver juntos como se se amassem e fazendo-nos acreditar que se amam e a eles mesmos que são amantes? E eu não sei se sou leviano e ressentido em ver outras razões para que as pessoas fiquem juntas, como- medo da solidão,submissão aos valores morais, sociais e religiosos; os interesses econômicos e até a suposta segurança de que não envelhecerão sozinhos...